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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Encounters at the end of the world (Encontros no fim do mundo)


Em alguma edição do Festival do Rio houve uma mostra do Werner Herzog e fiquei particularmente curioso com um filme chamado Grizzly Man, sobre um homem que tinha desenvolvido um apego pelos ursos que vivem no Alasca (posso estar equivoca em relação ao local). Lógico que não dá pra confiar em urso e a história acaba mal pro tal cara, mas o doc por outro lado é bem interessante. E acabei procurando mais filmes do Herzog para ver. Um dos títulos dele que também me chamou a atenção foi este Encounters at the End of the World, que trata-se de um doc no estilo vamos-lá-ver-no-que-vai-dar.

Herzog e sua equipe vão para a Antártida, o continente no fim do mundo. Apesar do entusiasmo ser inicialmente por conta das belíssimas imagens registradas por expedições anteriores, o filme possui uma pegada filosófica existencialista muito forte, afinal o que faz pessoas se desgarrarem de seus lares para ir morar naquele continente? Quem são estas pessoas (cuja trajetória é completamente fora da curva) que acabaram por se estabelecer lá? Quais são seus anseios? Que tipo de respostas elas (e o próprio diretor) buscam encontrar na Antártida?

Se a garantia de imagens belissimas já era esperada, o filme vai além e consegue ainda lhe fazer pensar no sentido que cada pessoa dá a sua vida e como a perseverança da espécia humana nos leva a lugares estranhamente improváveis, geográfica e subjetivamente falando. Achei bem interessante o doc.

Ficha Técnica:
Título Original: Encounters at the end of the world
Título no Brasil: Encontros no fim do mundo
Direção: Werner Herzog
Roteiro: Werner Herzog
Gênero: documentario
Origem: EUA
Duração: 99min

Elenco:
Ryan Andrew Evans ...  McMurdo Station Cook
Ashrita Furman ... Multiple World Record Holder
Peter Gorham ... Physicist - University of Hawaii
Werner Herzog ... Narrator

sábado, 24 de setembro de 2011

Sketches of Frank Gehry


Há algum tempo que meu interesse pela arquitetura vem aumentando. Por enquanto está no nível da curiosidade e da observação. Volta e meia quando viajo fico olhando os prédios e as obras existentes em outras cidades (do Gaudí, do Calatrava e até mesmo do Niemeyer - que eu sempre impliquei um pouco), e de certa forma me perguntando porque é que essa moda não pega no Rio? Enfim, conversando cosamigu arquiteto peguei a dica deste documentário de Frank Gehry, um dos expoentes da arquitetura moderna, que eu desconhecia até então. Ou ao menos nunca havia ligado o nome a obra. 

Quer um exemplo? Já havia visto diversas fotos do Museu Guggenheim de Bilbao, obra máxima de Gehry, mas até o filme nunca me liguei em procurar quem seu o criador. O documentário é bem interessante muito por conta também da forma como é dirigida. Este é o último filme de Sidney Pollack, que faleceu em 2008, depois de muito contribuir para o cinema norte-americano (clássicos como Tootsie, Out Of Africa, The Way We Were, são todos dirigidos por ele). Pollack há algum tempo havia desenvolvido uma amizade com Gehry e, assim como eu e provavelmente a grande maioria de seus expectadores, não conhece uma vírgula de arquitetura. Porém ele sacou que ali havia um bom filme. E mesmo sem nunca haver dirigido um documentário antes, embarcou na onda e fez um excelente doc que mostra com bastante detalhes o processo de trabalho de Gehry e a importância que ele exerce sobre seus pares. Muito interessante para qualquer um que tenha interesse sobre o assunto. Fica a dica.

Ficha Técnica:
Título Original: Sketches of Frank Gehry
Título no Brasil: ???
Direção: Sidney Pollack
Gênero: documentário
Origem: EUA
Duração: 83min


Elenco:
Frank O. Gehry ... Himself
Bob Geldof ... Himself
Dennis Hopper ... Himself
Charles Jencks ... Himself
Philip Johnson ... Himself

domingo, 14 de agosto de 2011

Wasteland (Lixo Extraordinário)

Payback. Não no sentindo vingativo, mas sim como retribuição. Essa era a intenção do Vil Muniz ao iniciar o seu projeto junto aos catadores de lixo do Jardim Gramacho, o maior aterro sanitário do mundo e destino de mais de 70% do lixo produzido no Grande Rio. Já firmado e reconhecido internacionalmente no meio das artes plásticas, Vik decidiu em meados de 2007 que seu próximo projeto nasceria do lixo, mais especificamente do Jardim Gramacho.


O documentário, que chegou a ser indicado ao Oscar na categoria, acompanha justamente este período de cerca de dois anos, desde o start da idéia até a exposição do trabalho final no MAM do Rio de Janeiro que bateu recordes de público e ficou em cartaz por quase três meses. Apesar de ter umas cenas nitidamente feitas para a câmera (os debates entre Vik, sua esposa e o seu sócio na empreitada, todos brasileiros, são em inglês muito provavelmente por conta da direção/edição do filme que foi feito com aportes do Reino Unido), o filme tem passagens interessantíssimas e uma história fantástica de transformação na vida daqueles catadores de lixo que veem suas vidas mudarem pelo simples contato com uma forma de arte. Aliás as melhores cenas do filme vem justamente das apresentações dos catadores de lixo e seus backgrounds de como foram parar ali em Gramacho e a luta pela sobrevivência que perseveram dia-a-dia. Filmaço.

Ficha Técnica:
Título Original: Wasteland
Título no Brasil: Lixo Extraordinário
Direção: Lucy Walker, Karen Hardley e João Jardim
Gênero: documentário
Origem: Brasil / Reino Unido
Duração: 99min


Elenco:
Vik Muniz ... Himself




sexta-feira, 24 de junho de 2011

Foo Fighters: Back and Forth

Outro dia mesmo li uma matéria falando sobre os 20 anos do "Nevermind"do Nirvana e fiquei até surpreso! Putz, vinte anos? Ainda me lembro de haver comprado o disco em LP numa lojinha de música na Praça Seca, que há muito tempo já fechou as portas. LP, né? Denota velhice, eu sei mas enfim, pouco tempo depois do fim do Nirvana, nascia o Foo Fighters que fez um sucesso discreto no primeiro album mas ao mesmo tempo lançou um clipe ("Big Me") que marcou época aonde os músicos faziam uma paródia aos comerciais de Mentos. Eu ainda estava no colégio e lembro de comentar com os amigos no recreio sobre o clipe. Não comprei nenhum álbum deles na época (e nem depois), mas os clips na MTV continuavam vindo e sempre chamando atenção. "My Hero", "Everlong", "Learn to Fly" e isso acabou despertando uma simpatia minha pela banda. Em 2001 eles vieram tocar no Rock in Rio 3 - quando o festival ainda era rock - e eu fui lá conferir. Conhecia apenas as mais famosas, mas mesmo assim achei o show muito bom, cheio de energia. Porém depois, passou e continuei acompanhando a distância a carreira deles vendo um clipe novo surgir de vez em quando. E nada mais. Porém uns poucos meses atrás li que eles lançaram o cd "Wasting Light" e rapidamente o álbum fazia parte da playlist do meu telefone. E quando finalmente li uma matéria sobre o documentário do Foo Fighters, fiquei curioso, pois sinceramente nunca havia me preocupado em saber nada sobre a banda. 

O documentário é bem completo no que se refere a criação e trajetória da banda, cobrindo desde a morte do Kurt Cobain até as gravações do Wasting Light, passando por todas as formações musicais do grupo até a atual. E é feito de forma bem sincera com depoimentos dos membros e ex-membros da banda, aparições na TV, shows e premiações. Bem bacana mesmo. Pra quem tem ao menos simpatia pela banda, vale uma olhadinha.


Ficha Técnica:
Título Original: Foo Fighters: Back and Forth
Título no Brasil: ??
Direção: James Moll
Gênero: Documentário
Origem: EUA
Duração: 100min


Elenco:
William Goldsmith ... Himself
David Grohl ... Himself
Taylor Hawkins ... Himself
Nate Mendel ... Himself
Chris Shiflett ... Himself
Pat Smear ... Himself
Franz Stahl ... Himself

sábado, 18 de junho de 2011

Inside Job (Trabalho interno)

Em 2008 os EUA desencadearam a maior crise financeira global desde a crise da bolsa 1929. O governo americano precisou desembolsar 700 bilhões de dólares para evitar que a falência do banco de investimentos Lehaman Brothers provocassem o colapso do sistema financeiro que vigora no mundo hoje. Mas o que exatamente desencadeou este processo e porquê nada foi feito para evitá-lo é justamente o foco deste excelente documentário que ganhou o Oscar em 2011.

Ainda que economia seja um assunto bem árido para quem não está acostumado com os termos técnicos e as principais correntes de pensamento desta ciência, o filme consegue reunir e editar de forma brilhante e bastante inteligível os processos que levaram a criação da crise mundial de setembro de 2008. Pra quem já tem interesse pelo tema, corra e veja ontem. Filmaço.

Ficha Técnica:
Título Original: Inside Job
Título no Brasil:  Trabalho Interno
Direção: Charles Ferguson
Roteiro: Charles Ferguson
Gênero: documentário
Origem: EUA
Duração: 120min


Elenco:
Matt Damon ... Narrator (voice)
William Ackman ... Himself
Daniel Alpert ... Himself
Jonathan Alpert ... Himself
Sigridur Benediktsdottir ... Herself
Ben Bernanke ... Himself (archive footage)
Willem Buiter ... Himself
George W. Bush   ...  Himself

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Waiting For Superman

Nas minhas conversas políticas de bar costumo sempre defender que o maior problema do Brasil é a educação. Temos outros problemas, e não nego isso, mas se resolvessemos a educação acredito que muitos outros problemas seriam minimizados a reboque, pelo efeito positivo que a educação tem na vida do cidadão e da sociedade.
De certa forma este é o grande debate por trás deste excelente documentário chamado Waiting For Superman que disseca de maneira brilhante o tratamento dado a educação pública nos Estados Unidos. O filme consegue a proeza de mostrar verticalmente as implicações na qualidade de vida da sociedade, desde o momento em que leis sobre educação são promulgadas até o impacto sofrido na ponta da cadeia por alunos com histórico socioeconomico mais desfavorecidos que são forçados a participar de sorteios em busca de alguma vaga em um escola melhorzinha. Um filmaço para debater e pensar a questão da educação e a importância dela na vida de qualquer pessoa.

Ficha Técnica:
Título Original: Waiting for Superman
Título no Brasil: ???
Direção: Davis Guggenheim
Roteiro: Davis Guggenheim
Gênero: Documentário
Origem: EUA
Duração: 111min


Elenco:
The Black Family ... Themselves
Geoffrey Canada ... Himself
The Esparza Family ... Themselves
The Hill Family ... Themselves

terça-feira, 12 de abril de 2011

Senna: o brasileiro, o herói, o campeão

Há relativamente pouco tempo li a biografia do Senna e fiquei impressionado com a trajetória do piloto. Tenho muitas memórias das corridas aos domingos de manhã com o Galvão gritando "Ayyyyyyyyyrton Senna do Brasiiiiiiiiiiiiiil", mas isso já na era dele de Maclaren em diante. A parte Lotus, Benetton, e a vida do kart pouco conhecia. O livro trás bastante detalhes da vida do ídolo brasileiro, puxando mais sardinha do que o necessário para os bastidores da imprensa. E logo que li sobre o filme fiquei curioso, pois as imagens as vezes valem mais que mil palavras. Ver o Ayrton pilotando é realmente emocionante. Ele era um piloto fantástico, com uma capacidade impressionante de recuperação numa própria corrida que muitos julgariam impossível.

Há diversas entrevistas com Ayrton em momentos diferentes da carreira, imagens de arquivo bem legais e muita ultrapassagens impossíveis. As cenas de briefing das provas onde fica claro a politicagem da FIA pra mim foram o ponto alto do filme. O filme documenta muito bem a carreira de Ayrton, desde o kart até o acidente fatal na Tamburello, mas senti falta da dimensão social dele. A parte que fala da vida pessoal é pobre, se comparada ao resto do material do filme,  mas entendo que é bem difícil retratar um personagem tão importante a historiagrafia brasileira e do esporte mundial. Veja correndo.


Ficha Técnica:
Título Original: Senna
Título no Brasil: Senna: o brasileiro, o herói, o campeão
Direção: Asif Kapadia
Roteiro: Manish Pandey
Gênero: documentário
Origem: França, EUA e Reino Unido
Duração: 104min


Elenco:
Ayrton Senna ... Himself (archive footage)
Alain Prost ... Himself
Frank Williams ... Himself
Ron Dennis ... Himself

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Exit through the gift shop

Este documentário me remeteu imediatamente a Na Captura dos Friedmans, que assisti a muito tempo atrás no cinema do Paço Imperial. Os personagens de ambos dos documentários provavelmente nunca devem ter se encontrado na vida, ainda assim partilham um hábito que acho um pouco excêntrico demais: eles gravam boa parte de suas vidas em vídeo. E não estamos falando de filmar o aniversário do filho caçula ou uma festa de bodas de prata, e sim do dia-a-dia incluindo até as brigas de família (no caso dos Friedmans).

Exit through...é um filme que quase não existiu. A história toda começa com Thierry Guetta, um francês radicado em LA, que assim como os Friedman, tinha um hábito de filmar tudo ao seu redor. Embora nunca se ligasse em assistir ao que havia filmado. Simplesmente ligava a camera e gravava. Um dia de férias na França, reencontra um primo que está envolvido com a street art. Seu codinome é Invader, pois ele cismou de colocar aqueles bonequinhos do Space Invaders em diversos locais públicos de Paris. De posse da câmera, ele resolve seguir Invader nas noites durante as instalações da street art. De volta aos EUA, ele resolve então registrar o movimento da street art que estava começando a despontar em LA. Com a desculpa de que estava criando um documentário sobre o movimento, ele registra diversas cenas e artistas em LA e começa a entender melhor o movimento de arte que está começando. E isso o leva a procurar pelo maior nome da street art que estava despontando no cenário mundial naquela época (e talvez o maior nome até hoje), o inglês Banksy. Por conta da sua intensa dedicação as filmagens em LA, curiosamente ele acaba atraindo a atenção do Bansky que planejava fazer uma intervenção por lá. E assim os dois acabam ficando amigos e Banksy libera Guetta para documentar o seu processo de trabalho. O curioso é que no fim das contas o documentário que surge não é sobre Banksy, mas sim sobre o próprio Thierry Guetta, que viria a se tornar Mr Brainwash, um novo artista expoente no mercado da street art. E mais, o documentário acabaria sendo dirigido pelo próprio Bansky. Pra quem tem algum amor pela arte contemporânea, pop art e street art, o filme é obrigatório. E pros que não são, fica a dica de um documentário interessantíssimo sobre um vir-a-ser que ao mesmo tempo consegue criar um rico painel do cenário atual da street art. Fica a dica.


Ficha Técnica:
Título Original: Exit through the gift shop
Título no Brasil: ???
Direção: Banksy
Gênero: documentário
Origem: Uk
Duração: 87min

Elenco:
Wendy Asher ... Herself
Banksy ... Himself
Shepard Fairey ... Himself
Thierry Guetta ... Himself
Rhys Ifans ... Narrator
Space Invader ... Himself
Jay Leno ... Himself

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

We live In Public

Mais da leva do FestRio2010, este documentário foca um período da vida de Josh Harris, um visionário (?) e ex-milionário da febre as empresas pontocom na década de 90. Nunca nem sequer havia ouvido uma vírgula sobre o cara, mas o fato é que ele foi um destes expoentes do começo da web, ao menos nos EUA, e criou um site que virou febre lá e que de certa forma é um precursor do youtube e de outros. O site se chamava Pseudo.com e se propunha a ser o primeiro canal de tv integrado a internet, com possibilidade de interações ao vivo via chat. Fez um sucesso enorme e enchou os bolsos de Josh no processo. O dinheiro trouxe a fama, e com isso todo mundo ao redor queria ser amigo de Josh, que tinha uma certa vocação para festa também. Costumava promover uma por semana com requintes de exagero, muito bebida e música e boa parte 0800.


Com uma certa fama e muita grana no bolso, ele começou uma carreira performática e criou uns personagens para si, como um palhaço chamado Luvvy. E seu comportamento começou a incomodar seus investidores, mas ainda assim ele tinha muito grana e resolveu criar um experimento chamado “We Live In Public”, que é basicamente um big brother para uma sociedade. Ele alugou um galpão em NY e instalou centenas de compartimentos com camas, e colocou cameras em todos os lugares, inclusive banheiros. Aí convidou/selecionou uma quantidade grande de pessoas (não sei ao certo o número, mas parece que foram quase 100 cabeças) e durante trinta dias deixou as pessoas viverem ali, garantindo comida e cama, com a regra de que não poderiam sair. Lógico que a coisa toda não poderia dar certo, e o projeto foi fechado pela polícia no primeiro dia de 2001.

Josh acreditava que no futuro (até próximo) todas as pessoas teriam suas vidas compartilhadas e para isso foi a fundo neste experimento We Live In Public, após o término forçado, ele decidiu experimentar uma dose do próprio remédio e juntamente com sua namorada embutiu cameras por todos os lados da sua casa e criou um site aonde qualquer pessoa na web pudesse monitar o que acontecia na sua casa e ainda interagia com elas via chat no site. Só que, como já havia acontecido com algumas pessoas no experimentoe em NY, em pouco tempo Josh começou a experimentar problemas psicológicos em função da superexposição. E acabou terminando o projeto.

O documentário retrata bem cada uma destas etapas e levanta algumas questões interessantes sobre a exposição e o compartilhamento de uma vida em público...o que será que o futuro da midia social nos guarda?


Ficha Técnica:
Título Original: We Live In Public
Título no Brasil: ???
Direção: Ondi Timoner
Roteiro: Ondi Timoner
Gênero: documentário
Origem: EUA
Duração: 88min


Elenco:
Josh Harris ... Himself
Tom Harris ...Himself - Brother








quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Rush: Beyond the Lighted Stage (Rush: Além do Palco Iluminado)

Descobri o Rush ainda na minha adolescência e embora não seja o fã número um da banda, sempre gostei das músicas deles. A primeira vez que eles vieram ao Brasil (em 2002, ou seria 2003?) fiz questão de ir show para ver e ouvir aquelas músicas ao vivo. Este ano eles voltaram aqui, mas acabei não conferindo desta vez. Mas o fato é que o power trio canadense toca muuuuuuuito, e meio que como os Ramones, são reverênciados por um séquito de pessoas e outros músicos no mundo inteiro, embora nunca tenham tido muito sucesso comercial. Para quem gosta das músicas dos caras, o filme é um prato cheio. Talvez o único problema do documentário seja sua duração, porque abraçar toda a trajetória do grupo num só filme em cerca de duas horas é pouco. Há muita história a ser contada, são mais de trinta anos de carreira...mas ainda assim o resultado é bom e com certeza agradará aos fãs do Rush.



Ficha Técnica:
Título Original: Rush: Beyond the Lighted Stage
Título no Brasil: Rush: Além do palco Iluminado
Direção: Scott McFadyen & Sam Dunn
Roteiro: Sam Dunn
Gênero: Documentário
Origem: Canadá
Duração: 107min


Elenco:
Geddy Lee ... Himself
Alex Lifeson ... Himself
Kim Mitchell ...Himself
Kelly Paris ... Himself
Vinnie Paul ... Himself
Neil Peart ... Himself

Art and Copy

Propaganda é um mercado umbiguista. Adoram fazer citações e piadas internas, se autoreverenciar e criar prêmios para seus coleguinhas do meio. E gastam muito com isso: tempo e dinheiro, quando deveriam se preocupar em vender, que afinal é a alma da propaganda, mas isso é discussão para depois.


Art And Copy é um documentário sobre propaganda e sobre como os criativos criam as peças que entram na vida das pessoas, ou pelo menos tenta fazer isso. O fato é que é um filme muito mais focado no mercado norte-americano e boa parte das citações do filme não são domínio-público aqui, o que tira muito o impacto do filme e do seu conteúdo.  Mesmo pros tarados da publicidade (Meio& Mensagem, Updateordie e afins) que fizeram bastante divulgação do filme aqui recentemente, é um filme que não dialoga com o publico brazuca. Não gostei muito e não é essa coca-cola toda que a propaganda sobre ele predizia.





Ficha Técnica:
Título Original: Art and Copy
Título no Brasil: ???
Direção: Doug Pray
Roteiro: Gregory Beauchamp (original concept)
Gênero: documentário
Origem: EUA
Duração: 90 min




Elenco:
Lee Clow ... Himself
Jim Durfee ...Himself
Cliff Freeman ... Himself
Jeff Goodby ... Himself
David Kennedy ... Himself
George Lois ... Himself

terça-feira, 14 de setembro de 2010

The Yes Men Fix the World

Na época do festival do Rio (de que ano mesmo?), vi vários comentários de amigos e da crítica falando bem deste filme sobre os Yes Men. Para você que como eu (como o Damião, como a Andréia, como dona maria e mais um monte de gente que o Serra comeu) nunca havia ouvido falar em Yes Men, vale uma rápida apresentação. Eles são uma dupla de documentaristas que pregam peças no mundo corporativo. Eles invadem congressos, feiras e festas de lançamento de produto num estilo bem CQC e tiram um sarro com os presentes apresentando absurdos como se fosse um fato concreto, como se pode comprovar neste documentário.

O grande barato do documentário dos Yes Men é curtir o bom humor e a incrível caraça de pau que eles tem ao se passar por porta-vozes de empresas dando entrevista ao vivo na BBC ou então por porta-voz até mesmo da Casa Branca. Esqueça aquela arrogância do Michael Moore e venha se divertir com os Yes Men. Até porque as bandeiras que eles levantam são bem mais interessantes.



Ficha Técnica:
Título Original: The Yes Men Fix the World
Título no Brasil: ???
Direção: Andy Bilchbaum e Mike Bonanno
Roteiro: Andy Bilchbaum
Genero: Documentário
Origem: França, Reino Unido, EUA
Duracao: 87min


Elenco:

Reggie Watts ... himself
Mike Bonanno ... himself
Andy Bichlbaum ... himself

domingo, 4 de julho de 2010

Maradona By Kusturica

No embalo da Copa de 2010, uma das figuras em maior evidência, apesar de não mais jogar é Maradona, que sem dúvida é uma figuraça dos almaques do futebol de todos os tempos. É polêmico, brigão, afetuoso, fraseiro e muito mais.

Eu havia ouvido falar deste filme na época do lançamento em Cannes, mas ficou meio que adormecido a vontade de ver até chegar a copa e futebol virar o assunto dominante em qualquer lugar que se vá.

O documentário não é tão somente sobre Maradona, mas também sobre a relação entre o diretor do filme Emir Kusturica com futebol e sua intenção de documentar a vida de Maradona. Kusturica era um nome que já tinha ouvido antes, mas desconfio que nunca havia assistido nada dele. E fiquei mais curioso ainda para ver o filme.

Como documentário em si, não é muito revelador. Tem obviamente alguns grandes gols do Maradona que pontuam o filme, mas é nítido que se cria uma distância grande entre o diretor e seu objeto de análise, inclusive isso é verbalmente dito por Kusturica em algum momento do filme. Ainda assim, pra quem gosta de futebol e do Maradona vale uma conferida.


Ficha Técnica:
Título Original: Maradona By Kusturica
Título No Brasil: ??
Direção: Emir Kusturica
Roteiro: Emir Kusturica
Gênero: Documentário
Origem: Espanha/França
Duração: 90min

Elenco:
Manu Chao ...Himself
Lucas Fuica ... Maradonian Church member
Emir Kusturica ... Himself
Diego Armando Maradona ... Himself

sábado, 24 de abril de 2010

Slacker Uprising

Não é nenhuma novidade dizer que o Michael Moore é contrário ao governo Bush. Agora não fazia idéia de campanha que ele empreendeu para impedir a reeleição de Bush em 2004. Durante os dois meses que antecederam a eleição, Moore percorreu 20 estados norte-americanos fazendo comícios e palestras no intuito principalmente de ganhar o eleitorado slacker, que seriam os "fracos", num sentido amplo da palavra. Desde os "fracos" pobres que passam dificuldades econômicas, sem apoio médico, com dívidas no banco, quanto os "fracos" do ponto de vista social como são os jovens que se sentem sem representação e desmotivados a se engajar na política. Utilizando este gancho poderoso, Moore tenta alertar a população presente nos seus comícios sobre a importância do voto e da necessidade de impedir a reeleição de Bush.

Foram comícios para 2mil, 4mil e até 10mil pessoas. É  impressionante a força de mobilização que ele conseguiu. Até me pergunto se ele mesmo não deveria se lançar a presidência, afinal mesmo discordando um pouco da sua postura dá para ver que ele é um cidadão que não fica acomodado com a situação política de seu país.

Como documentário, este filme dele é basicamente um registro desta maratona palanqueira. Não há muita diferença entre o comício de Talahasse e o de Seattle, a edição preguiçosa também não ajuda muito e como de antemão já sabemos o resultado, que Bush se reelegeria, fica a pergunta, qual o ponto de fazer este filme?

Ficha Técnica:
Título Original: Slacker Uprising
Título no Brasil: ???
Direção: Michael Moore
Roteiro: Michael Moore
Gênero: Documentário
Origem: EUA
Duração: 102min


Elenco:
Michael Moore ... Himself
Eddie Vedder ... Himself
Robert Ellis Orrall ... Himself
Steve Earle ... Himself
Celeste Zappala ... Herself

sábado, 10 de abril de 2010

Capitalism: A Love Story (Capitalismo: Uma História de Amor)


O Michael Moore teve um início de carreira muito interessante ao dirigir o Roger & Me, sobre os efeitos da fábrica da GM na sua cidade natal Flint em Michigan. Até hoje isto ainda marca suas obras. Anos depois, ele iria dirigir a sua melhor obra até hoje: Tiros em Columbine, que inclusive lhe deu um Oscar de melhor documentário. O problema é que a partir daí o ego dele engordou ainda mais. Pro bem e pro mal.

O lado "bem" é que é positivo, e até benéfico, ter uma figura inconformada com o status quo e com disposição suficiente para fazer barulho acerca disto. O seu recente SOS Saúde era um tapa na cara do sistema de saúde americano que foi desmantelado e hoje deixa milhões de americanos sem opção de tratamento das suas enfermidades. Porém o lado "mal" de Michael Moore é que seus filmes não são nenhum um pouco isentos ou imparciais. Ele tem uma teoria e vai fazer o teatro e a edição que for necessário para comprovar sua tese. E isso é cansativo de ver. 

Este novo filme sobre o sistema capitalista é grande metralhadora principalmente sobre a política financeira americana e sobre a força que Wall Street exerce neste sentido. Nitidamente um filme inspirado pela crise que assolou o mundo em 2008, mas que como em outros filmes do Michael Moore peca pelo excesso de umbiguismo.

Ficha Técnica:
Título Original: Capitalism: A Love Story
Título no Brasil: Capitalismo: Uma História de Amor
Direção: Michael Moore
Roteiro: Michael Moore
Gênero: Documentário
Origem: EUA
Duração: 127min

Elenco:
Thora Birch ... Herself
William Black ... Himself
Jimmy Carter ... Himself (archive footage)
Elijah Cummings ... Himself (as Congressman Elijah Cummings)
Baron Hill ... Himself
Marcy Kaptur ... Herself

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Herbert de Perto

Os Paralamas estão em atividade há quase 30 anos e criaram uma dezenas de sucessos que é familiar a virtualmente todos os brasileiros. Nesta década a banda foi marcada por uma tragédia, intensamente coberta pela mídia, que deixou o seu cantor e líder paraplégico.

Esta cinebiografia conta a história de Herbert Vianna e, por tabela, a dos Paralamas. Desde a infância nômade de Herbert, da Paraíba ao Rio de Janeiro, passando por Brasília e até o fatídico acidente com o ultraleve que vitimou a esposa Lucy e o deixou paraplégico.

A edição do filme é muito, mas muito boa. As músicas, os momentos marcantes, os clips toscos da década de 80. Está tudo ali. E há ainda um lado muito bacana que é ver o Herbert de hoje analisando e até sacaneando o Herbert garoto, que ainda usava óculos. Filmaço!




Ficha Técnica:
Título Original: Herbert de Perto
Direção: Roberto Berliner e Pedro Bronz
Gênero: Documentário
Origem: Brasil
Duração: 94min


Elenco:
 João Barone ... Himself
 Lúcia Willadino Braga ... Herself
 Katia Bronstein ... Herself
 Jorge Davidson ... Himself
 José Fortes ... Himself
 Simon Fuller ... Himself
 Charly García ... Himself
 Gilberto Gil ... Himself
 Eduardo Lyra ... Himself
 Paulo Niemeyer ... Himself
 Fito Páez ... Himself
 Bi Ribeiro ... Himself
 Nando Ribeiro ... Himself
 Pedro Ribeiro ... Himself
 Maurício Valladares ... Himself
 Herbert Vianna ... Himself
 Hermano Vianna ... Himself
 Lucy Needham Vianna ... Herself

domingo, 21 de março de 2010

The Cove

O vencedor do Oscar de melhor documentário de 2010 é um soco na boca do estômago. As imagens da matança dos golfinhos não são nada fáceis de digerir. É muita brutalidade num filme só. E é muito amargo também a história do ex-treinador de golfinhos e hoje ativista Ric O'Barry. Ele era o treinador do Flipper, o golfinho que o mundo aprendeu a amar e que foi responsável pelo surgimento de parques aquáticos com animais marítimos em cativeiro. Ric aprendeu, dez anos depois, que golfinhos em cativeiro entram em depressão e ele mesmo teve a infelicidade de presenciar o suicídio do Flipper original, em seus braços. Ric sofre há anos pela reputação construída acerca dos golfinhos e que ele mesmo ajudou a construir. E tenta há anos alertar ao mundo sobre o massacre que acontece anualmente em Taiji, uma pequena baía japonesa. Lá são assassinados anualmente 23mil golfinhos, cuja carne com níveis alarmantemente altos de mercúrio é vendida a processadores de alimentos locais que a vendem posteriormente como carne de baleia. O absurdo desta frase anterior é dissecado ao longo de uma hora e meia de filme. O ativismo de Ric acabou chamando a atenção do diretor deste doc que montou uma esquadrão classe A para conseguir filmar a matança dos golfinhos que, apesar de feita com a anuência das autoridades locais, era desconhecida de boa parte da população. Desde então eles tentam divulgar estas imagens para o mundo e tentam impedir que isso continue. Filmaço.


Ficha Técnica:
Título Original: The Cove
Título no Brasil: ???
Direção: Louie Psihoyos
Roteiro: Mark Monroe
Gênero: Documentário
Origem: EUA
Duração:  92min


Elenco:
Joe Chisholm ... Himself
Mandy-Rae Cruikshank ... Herself
Charles Hambleton ... Himself
Simon Hutchins ... Himself
Kirk Krack ... Himself
Isabel Lucas ... Herself
Richard O'Barry ... Himself
Hayden Panettiere ... Herself
Roger Payne ... Himself
John Potter ... Himself
Louie Psihoyos ... Himself
Dave Rastovich ... Himself

sábado, 20 de março de 2010

It Might Get Loud

Aumenta que isso aí é rock n' roll!!! O filme mostra o encontro de três gerações de guitarristas e tenta meio que traçar o caminho desde o reconhecimento do guitarrista até o seu apogeu e depois sua transformação em lenda. E os personagens que irão ilustrar esta tese são Jack White, o novo astro, The Edge, no ápice, e a lenda Jimmy Page.

Se você não é fã de guitarra e não faz idéia quem são nenhum dos nomes acima, esqueça pois este filme com certeza não é para você. Mas se por outro lado o assunto interessa, vale a pena gastar uns minutinhos nesse doc para ver os três apresentando diferentes visões de como tocar o mesmo instrumento e como suas influências o levaram a traçar caminhos tão distintos na hora de tocar a guitarra. E dá-lhe música boa no decorrer do filme.




Ficha Técnica:
Título Original: It Might Get Loud
Título no Brasil: ????
Direção: Davis Guggenheim
Gênero: Documentário
Origem: EUA
Duração: 98min

Elenco:
Jimmy Page
Jack White
The Edge

sábado, 13 de março de 2010

Simona, ninguém sabe o duro que dei

Só fui conhecer uma música do Simonal depois de burro velho, como diz minha vó. Já estava quase saindo da faculdade quando ouvi pela primeira vez "Nem vem que não tem", um clássico do Simona. 

Claro que já até conhecia de nome o cantor, mas suas músicas eram totalmente desconhecidas para mim. E depois de assistir este documentário, fico pensando como é possível? O Simona era um showman nato! E fazia um puuuuuta sucesso. Como então, nas décadas seguintes ele desapareceu? Jorge Ben e Roberto Carlos estão aí até hoje. Tim Maia, mesmo já falecido continua fazendo sucesso. E porque coube a ele este ostracismo tão intenso?

O filme tenta jogar uma luz nesta questão. Com um acervo rico de imagens de shows e programas de tv, além de depoimentos de familiares, artistas e pessoas envolvidas no showbiz, somos apresentados a uma história fantástica de como uma das maiores vozes do país foi calada e esquecida. É impossível não se apaixonar pelo vozeirão e pelo swing das músicas do Simonal. E o filme é muito feliz ao relembrar a trajetória dos programas de tv, como o Show em Si...monal e do show do Maracanazinho, entre outros grandes momentos. Inclusive o documentáro é muito esclarecedor ao abordar o episódio do DOPS, que acabou com a vida artística  do Simonal.

Realmente é uma pena este silêncio que foi imposto a uma voz tão ímpar na música brasileira.



Ficha Técnica:

Título Original: Simonal, ninguém sabe o duro que dei
Direção: Claudio Manoel, Calvito Leal e Micael Langer
Gênero: Documentário
Origem: Brasil
Duração: 86 min







quinta-feira, 4 de março de 2010

Alô, Alô, Terezinha


Quando se é criança, tudo é festa e você precisa ir aonde seus pais estão e assistir o que eles assistem na tv. No meu caso, lembro de muitos finais de semana em que ia para a casa de uma tia-avó juntamente com a minha vó. E lá a programação invariavelmente era preenchida pela dobradinha Cassino do Chacrinha (sábado) e Programa Silvio Santos (domingo).

Ainda não tinha uma percepção muito apurada do que era aquele programa cheio de buzinas, abacaxis, atrações musicais e mulheres rebolando. Eu era apenas uma criança nos idos dos anos 80, mas o programa era o must do sábado a tarde.

Peguei Alô, Alô, Terezinha numa vã tentativa de aprender um pouco mais daquela figura sempre extravagantemente vestida, mas sinceramente não aprendi quase nada sobre o velho guerreiro. O filme é um apanhado de entrevistas com diversos cantores famosos, celebridades, executivos e empregados de canais de tv, das chacretes e de alguns calouros. Porém nada parece unir esta coletânea que fim das contas parece tão somente...uma coletânea de pedaços de entrevista. Ficamos sem saber daonde Chacrinha veio e como conquistou seu espaço, como ele veio a falecer...Claro que um e outro depoimento são muito bons. O Byafra atingido por um para-quedas e o Agnaldo Timóteo metendo o pau no João Gilberto, são cenas incríveis. Mas nada que não pudesse ser visto num rápido videozinho do youtube.

Achei o resultado final muito fraco. O roteiro/edição também não contruibuiram muito pro bom andamento do filme, e aí não tem jeito: fom-foooom. E trás o abacaxi, também.


Ficha Técnica
Título no Brasil: Alô, Alô, Terezinha!
Direção: Nelson Hoineff
Gênero: Documentário
Origem: Brasil
Duração: 95 minutos